domingo, 12 de janeiro de 2014

Entrevistando Marcelo Rua

Oi gente!!
Hoje estou trazendo a primeira entrevista do blog, e minha também!!

A entrevista foi realizada com o autor brasileiro Marcelo Rua e espero que gostem!!

Ao fim da entrevista separei alguns links onde vocês possam encontrar o autor e possam comprar seus livros!!






1. Boa noite Marcelo! Gostaria de começar perguntando se você sempre quis ser autor ou foi algo recente?
Na verdade é coisa bem antiga, desde criança. Pode parecer contraditório, mas meio que já exercia o ofício de escritor antes mesmo de aprender a ler e a escrever (!) Esclarecendo: havia ficado curioso com uma máquina de escrever de meu pai, aos cinco anos de idade que me lembre, ele me explicou que era só por uma folha de papel ofício no rolo e teclar o texto. Fiz conforme ele havia dito, teclando aqueles caracteres de forma totalmente aleatória, claro que não tinha nada lá, depois perguntei a minha mãe o que eu havia criado e ela me disse: “nada”. Mas não podia ser nada, simplesmente, a folha não estava em branco! Achei que ela estivesse me enganando.

Depois disto, aos oito anos, compus meu primeiro poema. Mais especificamente, no natal de 1979. O clã de meus avós maternos estava todo reunido (meus tios primos, os tios e primos de meus pais etc) e eu queria chamar a atenção de todo mundo. Aí criei o poema e declamei subindo no muro da varanda de minha avó. Foi um “fracasso editorial”, ninguém quis me dar atenção com aquilo...

Mas foi apenas por volta dos dez anos, enfim, que tive a consciência de que seria um escritor: mandaram fazer um trabalho sobre um livro na escola, “Memórias de um Cabo de Vassoura” de Orígenes Lessa e fiquei relutante em realizar a leitura do mesmo, mas minha mãe me obrigou a isto, coisa da qual sou grato a ela até os dias de hoje: um novo mundo se descortinou diante de mim, achei a leitura uma coisa maravilhosa, e naquele instante eu já sabia que escrever era um impulso primordial mesmo, vide antecedentes neste mesmo relato.




2. Qual foi o seu primeiro livro? Foi difícil de publicar?
Meu primeiro livro foi “Os Dias Voláteis — Romance da Juventude Brasileira”, e sim, foi um pouco difícil, custeei a publicação e tive algum prejuízo no final. Somente com a edição do livro pela atual editora pude ganhar algum dinheiro, porém ele foi suficiente apenas para cobrir os gastos excedentes com a primeira edição em outra editora. Ao menos por ora: o livro foi republicado há bem pouco tempo, meu contrato com meus editores é de três anos então ainda tem muito que vender pela frente.




3. Qual foi a motivação para escrever a trilogia Juventude Brasileira? Fala um pouco sobre a história.
“Trilogia da Juventude Brasileira” foi a forma que encontrei para falar aos jovens algo que fosse de extrema relevância para os dias passados e atuais já que são assuntos que estão sempre em discussão, vivenciando-os em nosso dia-a-dia: primeiras experiências, gravidez na adolescência, o perigo das drogas, abismo de geração entre pais e filhos, entre outros diferenciados que abordei em cada um dos três livros. O curioso disto tudo é que não apenas o adolescente, que se identifica com ele, bem como o leitor mais maduro, cuja leitura do livro o faz remeter aos dias voláteis de sua
própria juventude, um período bastante significativo para todos nós e que, apesar de seu caráter de transitoriedade, deixa marcas muito profundas na construção humana de cada ser, uma vez que define muito daquilo que você vai se tornar quando estiver mais velho, na formação da personalidade.




4. Você tem algum autor que te inspirou para escrever esse estilo de livro?
Especificamente, este livro, não, mas talvez toda a minha obra: na verdade são vários autores, todos eles do período do realismo, modernismo e pré-modernismo (Lima Barreto é um dos que mais gosto neste segmento), e a literatura contemporânea. Normalmente gosto de autores brasileiros, portugueses e latinos (Mario Varas Llosa, Gabriel García Marquez, Júlio Cortázar), em que me inspiro embora também goste muito da literatura como um todo, universal. Gosto de Thomas Mann, por exemplo, um autor germânico.




5. Eu soube que você está assinando com uma editora norte americana para a publicação do terceiro livro, você poderia falar mais sobre isso?
Ainda estou conversando com os editores de lá, eles ficaram bastante interessados na história do livro, tem muito a ver com a temática dos livros deles com elementos de ação e tensão psicológica, não será uma história baseada apenas em questionamentos da condição humana como nos dois primeiros da trilogia, aspecto que ainda permanece no terceiro livro, porém com um algo mais. Estamos tratando da tradução, deixei claro a eles que gostaria que o nome de personagens, locais e instituições permanecessem como está no original e eles me tranquilizaram quanto a isto, dizendo que respeitam a diretriz original do autor, o que me deixou bastante satisfeito, e que tem uma equipe de tradutores de origens diferentes, muito eficiente e que procura manter a essência do texto. Mas eu também pretendo dar continuidade ao trabalho daqui publicando em língua portuguesa por uma editora brasileira.




6. Além de livros você escreve outras coisas como poesias, contos, etc?
Sim, escrevo, e muito. No que sou veterano mesmo é história em quadrinhos, todas de humor adulto, ácido e corrosivo, que faço desde os onze anos de idade e cujo trabalho ainda pretendo fazer vir a público. Meus contos são um pouco diferentes de meus romances realistas: são todos de horror, realismo fantástico e ficção científica. Poesia, confeccionei muitas delas no período de 1998-2000, mas meu forte mesmo é a prosa, mais recorrente em minha obra. Também possuo letras musicadas por uma banda de rock do circuito alternativo (cena underground) do Rio de Janeiro.




7. Quais seus planos para o futuro? Já tem em mente algum outro livro para escrever?
Estou iniciando uma nova trilogia, desta vez abordando um tema gótico que seria vampiros no Brasil, mas não é nada disto que se vê hoje em dia, um monte de gente copiando coisas mais modernas como RPG Vampiro A Máscara, livros da saga Crepúsculo e Diários do Vampiro, nada contra mas minha abordagem é mais pelo
vampiro clássico. Além disto será uma história com um toque de originalidade pois incluo várias surpresas ao final de cada tomo e que não posso revelar aqui, aliás nem posso entregar muito do enredo pois tive umas ideias bem diferentes mesmo para meus vampiros, quando chegar a época de sua publicação todos que lerem os livros saberão de que se trata. QUEM VIVER, LERÁ!




8. Você acredita que o número de leitores no Brasil vem aumentando nos últimos anos?
Vem aumentando, sim. O que não vem aumentando é a procura por autores nacionais: o público leitor geralmente prefere coisas que vem sendo amplamente divulgadas na mídia como esta invasão estrangeira, livros que foram adaptados recentemente por Hollywood. E há também a questão do preconceito, o brasileiro parece não apreciar o que é produzido em seu próprio país não com senso crítico pelo que leu, mas simplesmente porque deseja passar longe de algo que tenha o nome de um autor brasileiro na capa. Como se a questão geográfica fosse preponderante para a qualidade de um texto. Perguntaram uma vez se um livro meu “não estaria muito caro em se tratando de um autor nacional, afinal não é nenhum...” (aqui ele citou uma série famosa que estava sendo transmitida em um canal fechado e na TV aberta e que havia sido adaptada recentemente).




9. Para finalizar, qual a mensagem que você gostaria de deixar para os seus leitores?
Procurem sempre informação relevante, não vão atrás apenas do que a mídia veicula com estardalhaço, lembre-se de que nem tudo que é amplamente divulgado pode ser tão mais edificante que alguns autores, é preciso variar seu leque de opções a fim de se obter melhoria na qualidade da leitura que um texto pode proporcionar. Há muitos autores bons que apenas permanecem na obscuridade apenas por esta falta de interesse generalizada. Varie um pouco de vez em quando, literatura estrangeira também é boa, mas experimente mais um pouco nossos Josés, Marias e Joões paralelamente aos Thomas, Harrys e Johnsons da vida.

Quanto a quem deseja se iniciar na carreira de escritor, lembre-se de que somente aquilo que pé feito com amor sincero e devoção é que cativa o público leitor, uma vez que você transmite a quem lê o que você sentiu no momento em que dava corpo a sua obra. Eu me diverti muito escrevendo meus livros e, ao menos de início inconscientemente, transmiti isto a meus leitores, e não me sinto sozinho quando exerço meu ofício de escritor porque o texto fala a mim no momento em que o estou criando, como se tivesse vida própria, o que é bastante gratificante. Grande abraço.

Para quem quiser conhecer melhor o autor, seguem links:

Os Dias Voláteis ― Romance da Juventude Brasileira Autor: Marcelo Rua Habermann Editora Nº de páginas: 352 ISBN-13: 9788589206433 ISBN-10: 8589206432
Onde comprar??
Pra os que gostam de ler no computador ou tablet, tem o link da Amazon:
O livro também pode ser adquirido com o autor pelo Facebook (inbox) ou por e-mail: mbragancarua@gmail.com / marcelorua@live.com

Links onde possam encontrar o autor:

4 comentários:

  1. Parabéns pela entrevista desse grande autor que sabe ser simples sem ser simplório!

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  2. Grande Marcelo, sempre simpático e humilde, precisamos de mais escritores como ele no Brasil.

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  3. Que legal! O Marcelão é um grande cara! Torço por ele, e quero que ele deslanche nessa carreira de escritor!

    Parabens Manú pela entrevista, e parabens Marcelão!

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  4. Parabéns pela entrevista com esse ótimo autor ! E que venham mais entrevistas com autores brasileiros !

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